Executivos dizem que é possível aprimorar a gestão durante a crise | Por Rafael Sigollo – Valor Econômico

  Além das preocupações imediatas com o agravamento da crise e das perspectivas negativas para este e o próximo ano, os executivos brasileiros precisam lidar com stakeholders mais exigentes e com a falta de engajamento de suas equipes. Paralelamente, desafios globais relacionados a transformações econômicas, tecnológicas e sociais se fazem cada vez mais presentes. Apesar de toda a pressão, os dirigentes estão otimistas em relação ao impacto que essas mudanças terão em suas organizações no médio e no longo prazo. Essa é uma das conclusões da pesquisa exclusiva do Brazilian Management Institute (BMI), feita em parceria com a Toledo & Associados, com 100 representantes de grandes e médias empresas de diversos setores no Brasil – sendo 41 presidentes, 30 vice-presidentes e 29 diretores. De acordo com Daniel Augusto Motta, CEO da consultoria, 96% dos executivos entrevistados admitem que essas mudanças afetam o papel da liderança dentro das empresas, mas 83% enxergam isso de maneira positiva. “O principal motivo é que o cenário adverso os faz sair da zona de conforto. É preciso criar, inovar e buscar atualização constante”, afirma. Outras consequências desse cenário turbulento percebidas como benéficas pelos gestores são a necessidade de o líder adotar uma postura mais participativa, a melhoria da qualidade dos produtos e serviços, e o aumento da flexibilidade das organizações. Os stakeholders, de maneira geral, estão se tornando cada vez mais conscientes na opinião de 88% dos executivos. Se por um lado a cobrança maior continua sendo a dos acionistas – por mais resultados em prazos menores -, por outro a sociedade quer transparência, inclusive em questões ambientais. Já os funcionários têm exigido desenvolvimento,...

Empresário brasileiro é o 3º mais pessimista do mundo | Francisco Carlos de Assis, do Estadão Conteúdo

  São Paulo – O empresariado brasileiro está entre os mais pessimistas do mundo no que diz respeito ao que esperam para os próximos 12 meses. É o que revela o International Business Report (IRB), documento confeccionado pela Grant Thornton no segundo trimestres deste ano com base nas respostas de 2.580 líderes empresariais de mais de 30 nações e de diferentes setores. No Brasil, o índice registrado para o período ficou negativo em 24%, atrás apenas de Grécia, com queda de 36%, e Estônia, com índice negativo em 26%. O índice para o Brasil está bem abaixo da média global, positiva em 45%, e representa a maior queda no patamar de otimismo desde 2007, ano que o País passou a integrar a pesquisa trimestral da Grant Thornton. Segundo o managing partners da Grant Thornton Brasil, Daniel Maranhão, em comparação com o primeiro trimestre, houve queda de seis pontos porcentuais no índice, que passou de -18% para -24%. Na variação anual, o decréscimo foi maior, de 56 pontos. A Armênia com queda de 24% no seu grau de otimismo, e a Latvia (-6%) completam o Top 5 dos países menos otimistas, segundo o ranking IBR. Na mão contrária, os empresários mais otimistas com relação à atual situação econômica são os da Alemanha, com um índice de 92%. Ainda de acordo com o levantamento, a América Latina registrou no segundo trimestre patamar de 1% de otimismo, o que significa, de acordo com a Grant Thornton, queda de 4 pontos porcentuais em comparação com o primeiro trimestre e de 30 pontos na variação anual. A região está à frente apenas dos países Bálticos, que registraram índice...

Crise exige herdeiros mais bem preparados para assumir negócio | Por Maurício Oliveira | Para o Valor, de São Paulo

  A morte do imigrante italiano Nello Mazzaferro, em 2011, representou um grande baque para sua família, mas não para a empresa que ele fundara cerca de seis décadas antes em São Paulo – a Mazzaferro, especializada na transformação de plásticos para a fabricação de produtos de pesca, utilidades domésticas e fios para diversas aplicações. A transição para a segunda geração já estava consolidada, processo que transcorrera de forma gradual e planejada – por mérito, em grande parte, do próprio empreendedor, que percebeu com a antecedência necessária que era preciso encaminhar sua sucessão para perpetuar o negócio. O passo mais importante foi criar condições para que seus filhos se preparassem para atuar na empresa, e não que assumissem o comando do escritório apenas por serem herdeiros. “Aprendi desde cedo que precisaria trabalhar duro para merecer a posição que ocupo hoje”, diz Claudio Mazzaferro, 49 anos, caçula dos quatro filhos de Nello e atual CEO da empresa, que tem 400 funcionários e faturamento anual na casa de R$ 300 milhões. Claudio formou-se em administração de empresas na Itália e fez MBA pela Business School São Paulo, além de cursos na Harvard Business School e Booth School of Business, nos EUA, e Rotman School of Management, no Canadá. A preparação mais específica para entender a dinâmica de um negócio familiar se deu com os cursos de conselheiro de administração e de governança corporativa em empresas familiares do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). Nesses cursos, Claudio aprendeu a importância de atuar com base no que ele chama de “intransigência metodológica”. Segundo ele, isso significa estar ciente de que sua missão é...

CEOs fazem sessões de apoio mútuo – Presidentes de grandes companhias debatem sobre estratégias de negócios e dividem a solidão do cargo | O Globo

  Todo mês, eles se reúnem para falar sobre os seus problemas. Durante os momentos de desabafo, os participantes resumem desafios nas finanças, mostram como estão reduzindo despesas e tentam entender o que está acontecendo ao seu redor. No vale-tudo para buscar um conselho em momentos difíceis, procuram inspiração até em palestras motivacionais. As sessões, típicas de grupos de apoio, vêm fazendo cada vez mais parte da rotina de presidentes de conselhos de administração, de empresas multinacionais e de capital aberto. Para enfrentar a crise atual, de baixo crescimento e inflação alta, executivos vêm recorrendo a iniciativas que eles próprios classificam de “aconselhamento mútuo”. O presidente do Conselho de Administração da Marcopolo, Mauro Bellini, filho do fundador da empresa, participa de um desses grupos: o “Conselho de Presidentes”, fundado há quatro ano no Rio Grande do Sul e que chega este mês ao Rio de Janeiro e a Campinas. “A gente ainda tem palestras sobre vários temas de interesse. E, num momento como o atual, de desafio econômico, esses encontros se tornam mais relevantes. Recentemente, por exemplo, falamos sobre a melhor estratégia para atuar na Argentina”, disse Bellini, que comanda uma das maiores fabricantes de carrocerias de ônibus do mundo e com ações listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Mas, para participar desses encontros, é preciso seguir várias regras. A primeira é a da confidencialidade: tudo que é conversado fica guardado a sete chaves. Não é permitido gravar áudios, por exemplo. É proibido ter empresas do mesmo setor na mesma sala. Assim, os grupos acabam tendo perfil heterogêneo, com representantes de indústria, comércio e serviços. Quem...

Educação financeira tem prazo de validade | Por Luciana Seabra | De São Paulo

  Não somente de críticas é feita a pesquisa de Daniel Fernandes, John Lynch e Richard Netemeyer. Os Ph.D.s, que defendem com base na análise de 201 estudos empíricos que programas de educação financeira têm eficácia mínima, também se preocupam em dar sinais do que parece estar no rumo certo. A contribuição mais valiosa é sobre o momento em que a intervenção tem mais chance de ser eficiente. A conclusão dos pesquisadores é que 12 horas de instrução dez meses antes do momento de tomada de decisão financeira são equivalentes a uma hora de informação imediatamente anterior. Fernandes diz que ele e os outros pesquisadores não sabem ao certo porque o efeito da educação financeira decai tão rapidamente. Uma hipótese é que as pessoas esquecem o que aprendem. Outra é que o conhecimento adquirido no passado não se aplica à condição financeira do presente. “Por exemplo, o que foi aprendido sobre decisões em tempos de crescimento econômico não vale quando uma crise acontece”, diz o pesquisador. A conclusão aponta para um modelo de educação financeira não de cursos genéricos prolongados, mas do chamado “just in time”, que Fernandes explica: “O tomador de decisão recebe informação específica para a decisão que está tomando logo antes dela, quando, por exemplo, vai comprar uma casa, um carro ou investir”. Estudos como esse devem servir para orientar o uso mais efetivo de recursos, afirma Vera Rita de Mello Ferreira, consultora independente de psicologia econômica e integrante do Núcleo de Estudos Comportamentais (NEC) da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Estratégias mal pensadas, como distribuir cartilhas tradicionais, diz, só devem atingir quem já se interessa...

Educação financeira: reprovada | Por Luciana Seabra | De São Paulo

  A educação financeira cria consumidores e investidores melhores. Será? Um trio de pesquisadores, um deles brasileiro, colocou em xeque a tese que tem fundamentado políticas públicas em todo o mundo. Eles debruçaram-se sobre 201 estudos de campo que avaliaram os efeitos desses programas e refizeram o trabalho estatístico. E a conclusão é frustrante para quem carrega essa bandeira: intervenções para promover a alfabetização financeira explicam somente 0,1% da mudança de comportamento, ou seja, praticamente não têm resultado. E os efeitos são ainda mais fracos em populações de baixa renda. A pesquisa, realizada por três Ph.D.s, é robusta demais para ser ignorada. O brasileiro Daniel Fernandes, mestre pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), é professor da Universidade Católica Portuguesa. A ele juntou-se o economista e especialista em psicologia John Lynch, professor da Universidade de Colorado. A necessidade de conhecimentos em econometria trouxe Richard Netemeyer, professor da Universidade de Virginia. A pesquisa foi financiada pela National Endowment for Financial Education (Nefe), fundação americana sem fins lucrativos. O trio levantou em bases de dados estudos que tinham como tema alfabetização, educação e conhecimento financeiro. O estudo encontrou 10.650 artigos, publicados entre 1969 e 2013. Foram então selecionadas os 168 trabalhos que tratavam de 201 testes empíricos sobre o efeito da alfabetização financeira. Os pesquisadores tabelaram os dados, pediram informações adicionais aos autores quando necessário e refizeram os cálculos, tomando o cuidado de evitar qualquer viés. A medida escolhida para avaliar o efeito da alfabetização financeira foi o coeficiente de correlação, conhecido entre os econometristas pela letra “r”. O trio de pesquisadores chegou a um r de 0,032. Para...

Como lidar com a superficialidade | Luiz Carlos Cabrera, da VOCÊ S/A

  A tecnologia e as redes sociais trazem avanços e aumentam a velocidade da comunicação. Mas todo profissional deve lutar contra um novo problema: a superficialidade. Nos anos 70 e 80, era comum ouvir a frase “informação é poder”. As notícias demoravam a aparecer e a comunicação era mais controlada. As novas tecnologias e as redes sociais implodiram as barreiras de acesso à informação, que flui livre, rápida e de maneira mais democrática. Isso é obviamente um ponto positivo, mas tem exposto uma realidade que talvez ficasse escondida: a dificuldade que as pessoas têm de transformar informação em conhecimento. Trata-se de uma responsabilidade que profissionais precisam assumir urgentemente. O que vemos, com frequência, é uma tendência à generalidade, para não dizer superficialidade. As pessoas se contentam com uma manchete e se julgam bem informadas. Mas não resistem à segunda pergunta sobre o tema. Poucas se demonstram capazes de ler um conteúdo de redes sociais com distanciamento crítico. Vale lembrar que a matéria abundante hoje é a informação. Quando bem comunicada e depois tratada didaticamente, essa informação vira conhecimento. Como dizia Ethel Medeiros, minha amiga e uma das maiores psicólogas brasileiras: “Quando minha filha me faz uma pergunta, gosta de salientar que quer uma informação, e não uma explicação”. Existem realmente momentos em que a informação basta: onde mora fulano? Quem vem nos visitar neste fim de semana? Com quem você estava conversando? No entanto, há situações em que precisamos de uma explicação, e só a informação não é suficiente. Exemplo: qual foi o crescimento do PIB brasileiro em 2014? A informação é 0,6%. Mas qual a explicação? Quais as...

Soluções das empresas para o caso de faltar água no trabalho | Simone Costa, da VOCÊ S/A

    BANCO DE HORAS   Algumas empresas planejam dispensar os funcionários nos dias mais críticos e adotar um esquema de compensação futura por meio de um banco de horas. É o caso da fabricante de bebidas Bacardi, com sede em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. O sistema de banco de horas deve ser adotado tanto para os operários da fábrica como para os trabalhadores administrativos.   Como lidar • Prepare um cronograma definindo datas para a conclusão de cada tarefa, já que você terá menos tempo para executar as mesmas atividades. “Adote um sistema parecido ao das vésperas de feriado, em que nos desdobramos para dar conta de tudo em uma semana menor”, diz Paulo Moraes, gerente executivo da Talenses, empresa de recrutamento de São Paulo.   • Dedique o tempo no escritório totalmente ao trabalho e deixe compromissos pessoais para os dias de dispensa.   • Nos dias em que for compensar as horas devidas e prolongar a jornada, procure fazer pausas ao longo do dia, para que o tempo a mais no trabalho seja realmente produtivo.   JORNADA REDUZIDA   A agência de publicidade DM9DDB, na capital paulista, é uma das que podem adotar a jornada reduzida em caso de piora da crise hídrica. A empresa já testou esse modelo no ano passado, com a liberação dos empregados a partir das 16 horas das sextas-feiras durante o horário de verão. “Já fizemos essa experiência e vimos que as pessoas se engajaram bastante, e o resultado foi mais produtividade e qualidade no trabalho, o que nos deixa tranquilos caso precisemos repetir essa medida”, afirma Maria...

É hora de ser racional com o seu dinheiro | Samy Dana, da VOCÊ S/A

  É natural do ser humano propor e desejar mudanças, mas dificilmente conseguir colocá-las em ação. Em alguns campos de estudo, esse processo é chamado de irracionalidade. De fato, a ausência de lógica ou de guia racional está presente na maior parte das decisões. O próprio fator temporal já implica fortes influências sobre as análises realizadas. Quando um time de futebol ganha três jogos seguidos, por exemplo, independentemente de sua trajetória anterior, ele é considerado um dos melhores do campeonato, enquanto, se sofre três derrotas, gera irritação na torcida e pedidos para que o técnico seja demitido. Efeitos similares ocorrem no campo econômico. Fatores externos e não explicáveis podem interferir consideravelmente nas escolhas de investimento de cada indivíduo, e é esse um dos campos bastante pesquisados por estudiosos da linha conhecida como economia comportamental. De acordo com especialistas dessa área, é essencial que a educação financeira faça parte do cotidiano, não somente para que se torne viável a obtenção de melhores retornos para o capital mas também para que haja maior precaução e menor temor em momentos de instabilidade. Monitorar gastos, cortar despesas desnecessárias e investir testando diferentes modalidades de aplicação financeira, para ver quais são mais rentáveis dentro de um nível de risco adequado, é fundamental para o aumento da racionalidade ao longo do tempo. Esse aprendizado possibilita maior tranquilidade, mesmo durante a tempestade. Em momentos de aperto financeiro como o atual, é ainda mais importante estar preparado e compreender as oscilações do mercado para não cometer erros como os da crise de 2008. Naquele momento, mesmo diante de um cenário econômico adverso, muitos investidores que não contavam...
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