Cuidados antes de o herdeiro assumir o negócio da família | Por Beth Pinsker | Da Reuters, de Nova York

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Clint Morrison descobriu uma grande vantagem ao ir trabalhar na empresa da família após se formar pela Rider University: ele tem um emprego, enquanto a maioria de seus amigos não tem. “Eles ainda estão procurando”, conta Morrison.

A empresa da família Morrison, a Benefit Design Specialists, gerencia planos de benefícios a empregados para pequenas empresas e está baseada em Mechanicsburg, Pensilvânia. O pai, Tim, emprega não só o filho mais novo, Clint, como também outros dois mais velhos, com idades de 27 e 29 anos, uma filha, uma cunhada, uma sobrinha e cerca de dez outras pessoas sem graus de parentesco.

Qual o segredo de uma empresa harmoniosa com tantos membros da família? “Você precisa encontrar algo que os permita ser criativos, caso contrário eles não conseguirão trabalhar na empresa da família”, afirma o patriarca. Eis algumas dicas para quem quer trabalhar com parentes, segundo especialistas em negócios familiares:

Comece em outro lugar

Não existem números oficiais sobre quantos “& Sons” ou “& Daughters” existem entre as 28 milhões de pequenas empresas existentes nos Estados Unidos, segundo a Small Business Association, associação que congrega as pequenas empresas.

Mesmo assim, um dos professores de negócios de Clint Morrison o aconselhou a não começar na empresa da família. O conselho: comece em outro lugar e adquira conhecimento sobre o setor primeiro. Diante da situação do mercado e do nicho especial em que sua família opera, Morrison chegou à conclusão que isso não seria viável.

A estratégia funcionou bem para Laura Salpeter, que se formou em direito e depois trabalhou alguns anos em uma firma de advocacia, para depois se juntar a seu pai Scott Salpeter no banco de investimentos Cassel Salpeter de Miami. Também está trabalhando lá, depois de ganhar experiência em outras companhias, Philip Cassel, filho do sócio de Scott Salpeter. Laura e Philip estão com 30 anos.

“Trabalhar com meu pai é algo que sempre contemplei. Portanto, mergulhei no mundo dos negócios para descobrir como ele funciona”, diz Cassel.

Trabalhe para subir

O fato de você ter passado sua infância brincando na fábrica da família não significa que você terá um escritório só seu depois que conseguir seu diploma.

Robert Spielman, sócio da unidade de serviços tributários e empresariais da Marcum LLP, diz aos clientes que o trabalho deles é garantir que seus filhos serão expostos a todos os aspectos dos negócios da família, especialmente se esperam transferi-los para os filhos algum dia.

Por exemplo, um de seus clientes, um distribuidor de pescados, contratou vários membros da família para seu departamento de vendas. “Mas nenhum aprendeu a administrar o negócio. Por isso, acabaram tendo problemas financeiros”, afirma Spielman.

A melhor maneira é começar por baixo e passar por todas as áreas da empresa. Se ela for uma companhia de transporte, comece pela manutenção da frota, depois dirija por seis meses, vá para a área de vendas e em seguida ajude no lado financeiro, antes de passar para a administração da frota e dos funcionários, explica Spielman.

Administre as expectativas

O sonho da empresa familiar – de que, algum dia, tudo isso será seu – pode ser um grande motivador, mas pode também incutir uma pesada sensação de direito adquirido. Isso aconteceu com um proprietário de empresa familiar cliente de Steve Faulkner, diretor de assessoria a empresas privadas da área de gestão de fortunas do J.P. Morgan. O filho vivia ostentando seu status sobre seus colegas e superiores, ao dizer “algum dia, vou ser o dono de tudo isso, e vou demitir todo mundo que eu não gosto”.

Quando o gerente do filho finalmente reuniu a coragem para contar isso ao chefe, ele demitiu seu próprio filho. Dois meses depois, no entanto, ao constatar que o filho não tinha conseguido encontrar outro emprego, o chefe pediu para outro gerente que recontratasse o jovem. “Esse é um plano de sucessão horrível”, afirma Faulkner.

É melhor, diz ele, que os proprietários de empresas façam com que seus parentes trabalhem mais arduamente do que em qualquer outro lugar em sua vida, para ser digno de assumir as rédeas do negócio da família.

Outro dos clientes de Faulkner faz exatamente isso, e tem até um programa de treinamento formalizado para a quarta geração que ingressa atualmente na empresa. Os recém-chegados passam até seis anos em treinamento em subsidiárias internacionais até serem trazidos de volta à sede para assumir postos de direção. O processo incute respeito nos funcionários, coisa que, segundo Laura Salpeter, ela aprendeu no emprego.

Seu principal conselho para os que ingressam na empresa familiar: entenda que você está trabalhando para o seu progenitor, não com seu progenitor. (Tradução de Mario Zamarian)


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